“O estrategista vê o fluxo dos acontecimentos...”
Ketan Patel
Steve Jobs, após retornar e concluir uma bem-sucedida recuperação da Apple em 1998, perguntado por Richard Rumelt sobre qual seria sua estratégia para a companhia dali em diante, responde “I’m going to wait for the next big thing”. Em 2001 lança iPod e iTunes. Em 2007 o iPhone. O resto é história conhecida. História de boa estratégia.
A estratégia é azul porque requer reflexão profunda, abstração. É como subir ao céu para ver o sistema completo e a dinâmica das situações. O azul simboliza a amplitude, a imensidão, o infinito. Um estrategista precisa ser capaz de abstrair do contexto, de generalizar o particular, e de dar o rasante desde cima, bem alto, como uma águia. É indução e dedução. Ambos os processos de raciocínio exigem verticalidade mental.
Para aqueles que já conhecem os três eixos da inteligência estratégica, podem visualizar o eixo de consciência. Quanto mais para cima, mais azul.
Ver os agentes em perspectiva (no espaço) é possível graças a essa altura. Ao invés de ficar hipnotizado pelo movimento pontual de um concorrente ou por nova portaria do regulador do setor, sempre podemos imaginar diferentes arranjos: parcerias, alianças, reposicionamento, outros canais de distribuição e novos meios de comunicação com o consumidor.
Prospectar cenários futuros (o tempo) também só é efetivo quando deixamos de nos limitar pela tangente do que está ocorrendo aqui e agora. O futuro é sempre mais criativo do que nós, mas por isso mesmo devemos nos dedicar a conceber diferentes paisagens – prováveis, plausíveis, possíveis etc.
Por fim, ver o fluxo de acontecimento, enxergar o devir, não se limitar às ocasiões. Os eventos discretos são apenas fotografia. O estrategista precisa ver o filme.
Você tem medo de altura? Não? Que bom, vai dar um excelente estrategista.

