“No final das contas, é o coup d’oeil do general que constitui a essência de um bom comando”.
Carl von Clausewitz
Ver o que os outros não viram é particularidade do estrategista. Napoleão tinha essa qualidade: coup d’oeil, golpe de vista. Na famosa batalha de Austerlitz, ele vira o que nenhum general poderia ver – a tática proposta contradizia os manuais de guerra.
Quando trabalhamos com nossos clientes de consultoria, enfatizamos dar clareza para as lideranças de qual é nossa direção e quais são as nossas principais aspirações. Pessoas engajadas são fundamentais, mas precisam saber pelo que estão se engajando e para onde estão indo. Estarmos todos na mesma página, como costumamos falar. Fácil de falar.
O desafio começa por ter uma estratégia clara e coerente (que faça sentido). Logo, precisamos de consistência (capacidade de fazer acontecer) e do comprometimento de todos. São os apelidados 4 Cs da coordenação estratégica.
Embora as discussões sejam em meio ao desconhecido, com escura atmosfera, uma luz precisa ser prendida. É como riscar um fósforo. De repente, como num clarão de trovão, o insight permite visualizar uma oportunidade, um caminho de êxito. Fiat lux! A estratégia torna-se branca pela claridade que brota do gênio.
Todos temos este potencial. Uns mais, outros menos, é certo. Mas todo ser humano tem uma latente sagacidade para ser despertada e viabilizar a ação que levará ao triunfo. Como acordar esta força?
Há muitos modos de treinar a inteligência estratégica e, no que diz respeito a ao golpe de vista, a coisa é mais ligada à intuição irruptiva do que ao pensamento linear. Raciocínio dedutivo e indutivo não serão suficientes. Precisaremos desenvolver o abdutivo – o raciocínio de Sherlock Holmes, como normalmente se diz. Partimos não de premissas lógicas para concluir (dedução), nem de evidências empíricas para generalizar (indução). Partimos do que temos à disposição: alguns dados, percepções, opiniões, sinais, sintomas. E daí construímos hipóteses que deverão ser testadas.
Claro, numa batalha é muito mais complicado – quem vai querer testar a hipótese? Mas no cotidiano dos negócios é bastante mais aplicável. Seja como for, a criatividade, a inovação, a “sacada”, se dá como um brilho que pode acusar a ideia genial ou a ridícula tolice. Portanto, haverá que testar e comprovar na prática, para daí então investir mais e fortalecer a iniciativa no âmbito de todo o portfolio do negócio.
Antes disso, contudo, há que ter a visão! Step into clarity, está redigido como nosso strapline.
Você, estrategista, ouse ver o que ninguém vê. O clarão, a luz, é uma de suas grandes contribuições e uma das maneiras de agregar valor num lapso de segundo.

