O mundo clama por estratégia
Os recentes discursos no Fórum de Davos não mais do que ratificaram as percepções de um mundo turbulento, em processo fragmentação e tenso. Todo estrategista busca, antes de mais nada, entender o que está acontecendo e quais as possibilidades que se tem - com suas respectivas oportunidades e riscos atrelados.
Turbulência - ou ‘Trumpulência’, como preferiu cunhar Marcos Troyjo - é a sacudida periódica, indicada através de twitters e notícias, motivada prioritariamente pelas iniciativas e palavras (às vezes mais palavras, às vezes mais iniciativas) do presidente Norte-Americano. Ele é, sem dúvida, o grande protagonista do momento. Para o bem ou para o mal, a zona de turbulência é real e nossa aeronave não deve passar rápido por ela. Apertem os cintos!
O processo de fragmentação começou já há alguns anos. Depois que a pandemia da Covid expôs as fragilidades das cadeias de suprimento, todos passaram a temer pela resiliência das suas operações e logística. O decoupling EUA-China continua e o fenômeno da desglobalização torna-se mesmo possível, senão plausível. Mas, vejam: o que é provável é que tudo isso gere, como reação, novas alianças e novas combinações comerciais. Prova disso é a UE e os seus acordos com Mercosul e Índia. Se isso poderá arranjar um novo tipo de coupling e se ele será compensatório para a economia global, é ainda incerto. Mas, no longo prazo, quem sabe.
O que sabemos, no curto prazo, é que as tensões geopolíticas devem continuar e talvez se intensificar. Se o historiador Eric Hobsbawm (aliás, de viés marxista) denominou o Século XX de o ‘curto século’, começando com a Primeira Guerra e terminando com os conflitos dos Balcãs, como será que ele rotularia o nosso XXI? Sim, por que devemos atentar para o fato de que já estamos ingressando no segundo quarto do século e, se há algo que não merece mais o adjetivo de incerto é a sua natureza: foi-se o romantismo ingênuo dos que fantasiavam um mar de rosas depois da queda da Cortina de Ferro.
Como atuar estrategicamente?
Explorar possibilidades. Em meio à turbulência, fragmentação e tensão, fica difícil compreender o jogo de causas e efeitos; porém é bem prático dedicar-se a encontrar novas oportunidades.
Busque renovar suas perspectivas - troque as lentes, mude o ângulo de visão, olhe para os lados, tente enxergar no invisível. Ver o que os outros não veem é o que lhe interessa agora. Isso já provê uma vantagem.
E quem não gosta de uma vantagem, por pequena que seja? Talvez, inclusive, no mundo atual, a pequena vantagem seja grande e faça toda a diferença.

