Felipe II da Espanha decidira pôr fim aos inconvenientes corsários e consolidar, mediante o seu poderio naval, a hegemonia espanhola no mundo ocidental. Devido principalmente às adversas condições meteorológicas que se apresentaram, a campanha foi um fracasso – um terço da frota se perdeu.
Elizabeth I, um ano depois, pretendendo aproveitar uma vantagem sem precedentes sobre a nação inimiga, envia um contra-ataque liderado por Francis Drake. Visando atingir não somente a frota ainda em reparo nos portos, mas inclusive invadir Lisboa e alçar ao trono português um dos herdeiros de Avis, Antonio, o prior de Crato. A Inglaterra inverteria o tabuleiro do jogo conquistando a península Ibérica por mar e por terra.
Erros táticos, a indisciplina da marinha inglesa e decisões controversas de Drake, desalinhadas com Londres, levaram a iniciativa a um desgraçado fim.
A oportunidade era real e o timing de Elizabeth era propício. Porém, não basta saber onde e quando lutar… há que ser capaz de vencer!
A prepotência de Felipe e a empolgação da corte inglesa escondem erros estratégicos em comum: subestimar o adversário e superestimar o aliado.
Felipe foi surpreendido pela agilidade da marinha inglesa e foi frustrado pelo clima. Os britânicos não possuíam uma frota poderosa, mas tinham boa mobilidade; a meteorologia não lhe apoiou com ventos e marés favoráveis, mas com tempestades.
Elizabeth não antecipou a resiliência do antagonista. E uma esperada insurreição dos portugueses contra Felipe II (rei também de Portugal, devido à União Ibérica), nunca aconteceu.
O dedicado líder dos Católicos marcaria o ápice de influência do Império Espanhol. Rico e capaz de investir o ouro americano na Contrarreforma, financiando igualmente a Inquisição, o período de turbulência política e religiosa seria o ponto de inflexão para um novo arranjo geopolítico.
A Europa ainda teria de atravessar trinta anos de guerras e os Habsburgos continuariam a contenda com os Otomanos por mais tempo. O cenário para novas possibilidades estratégicas estava garantido.
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